Padrões de Beleza e Choque de Realidade




Que mulher nunca fez dieta ou tentou descobrir alguma forma milagrosa de perder uns quilinhos? É claro que me encaixo nesse grupo, até porque o modelo de mulher bonita é, sem dúvida, magra. Sem gordurinhas sobrando, sem culote avantajado, cinturinha fina, seios médios... essa imposição e culto a magreza entra no nosso inconsciente coletivo e passamos a buscar a perfeição como se fosse a única forma de ser feliz. Não vou entrar no mérito de quem cria esse estereótipo e de quem ganha com isso, essa conversa poderia durar horas...

Até então nenhuma novidade... sabemos disso, mas continuamos fazendo dietas sem fim e prometendo malhar cada dia mais para ficarmos mais bonitas. O problema é quando isso vira doença e atinge adolescentes ainda despreparadas para lidar com essa cobrança e imposição de padrões de beleza tão difíceis de serem alcançados.

Esse fim de semana eu fiquei CHOCADA com a quantidade de blogs que defendem a anorexia e bulimia como estilos de vida. Todos escritos por adolescentes que se escondem atrás de perfis anônimos para não serem descobertas pelos pais, familiares e amigos. É sério... eu achei tão pesado e tão cruel ver como elas ensinam a provocar o vômito ou a ficar dias sem comer. E pior, a quantidade de comentários de meninas que dividem suas experiências e contam, com muitos detalhes, suas tentativas de abraçar a Ana (ficar longos períodos sem comer) ou miar (vomitar).

São grupos com vocabulário próprio, inclusive com um dicionário dos termos mais usados para as novatas conhecerem. São quase sempre meninas entre 14 e 18 anos, com as mesmas aspirações e inspiradas por celebridades magérrimas. No último blog que vi, o post mais atual era um pedido de socorro, a menina dizia que estava morrendo e descreveu um quadro de sintomas que me deixou ainda mais abalada. Deixei um comentário para ela e parei de ler depois disso (se quiserem ver de perto é só procurar no google por pró-ana e pró-mia).

Esse post é um desabafo mais que qualquer outra coisa. Uma preocupação real com a situação de meninas reais tentando atingir uma perfeição imaginária. Não quero ajudar a sustentar ou incentivar esse tipo de comportamento, nem através do meu blog, nem da minha conduta diária. A busca da beleza deve ser um exercício de se sentir bem com a gente, para levantar a auto-estima e se sentir saudável, não um processo de mutilação ou punição por não atingir objetivos impossíveis.

Seguindo essa filosofia, vejo dieta, exercício físico e cuidados/tratamentos de beleza em geral, como uma forma de ter mais qualidade de vida e satisfação pessoal, entendendo que cada um possui genética e padrões próprios e que ninguém conseguirá ser mais bonita antes de se aceitar e se amar da forma que é. Por favor, cuidem das suas meninas e revejam, conversem e discutam essa realidade cruel  e os modelos de beleza que elas são impostas.

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2 comentários:

  1. Fer, também já me peguei chocada com esses sites. Na verdade, é pior ainda porque a gente para pra pensar e a verdade é que são pessoas de verdade, na maior parte das vezes jovens demais, que estão ali, fazendo aquela brutalidade consigo mesmas.

    Mas não é só isso. Nós que estamos super conectadas na web sabemos que atualmente existe um culto ao emagrecimento, disfarçado de busca por saúde. Não é. Dá pra saber pela obsessão com que as pessoas estão se dedicando a isso, a só falar sobre isso. Tudo que é demais não é saudável, né?

    Sinceramente, é muito desanimador, porque, sim, existe um padrão de beleza cruel e inatingível. Mas a questão é por que nos deixamos afetar?
    Cadê nosso amor próprio e autoestima pra dizer que existe diferença entre a perfeição da tv e a da vida real?

    É complicado e muito triste mesmo :(

    Mas o que importa é questionar, como você fez aqui. Ajuda muito falar a respeito.

    Beijooo

    Vivi

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    Respostas
    1. Vivi, seja benvinda!

      Concordo que o questionamento é fundamental. Pensar, analisar e questionar as informações que recebemos é o ponto de partida na construção da personalidade. Ainda mais importante quando falamos de adolescentes.

      Família, escola, mídia e sociedade em geral devem contribuir na formação de jovens capazes de fazer escolhas de forma crítica. Estou tentando fazer a minha parte!

      Beijos!!!

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Adoro quando vocês comentam!!!

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